BUSCAR O CONHECIMENTO: É BOM OU MAU?
Acaso se ensinará ciência a Deus, a ele que julga os excelsos? (Jó 21:22)
Podemos seguir uma linha de pensamento bem simplória só para “praticar” o (mau) hábito de tirar conclusões apressadas. Conhecer é poder. O poder corrompe. Logo o conhecimento corrompe. Seria isso sempre assim? Ou melhor: Precisa ser sempre assim?
Quando a Bíblia fala em conhecimento de forma positiva geralmente se refere a conhecer mais a Deus. Vamos falar de algo mais próximo do que entendemos hoje por ciência. O termo ciência quando aparece na Bíblia geralmente se refere ao saber técnico. O termo aparece com este significado em diversos versos como Êxodo 31:3 e 1ª Reis 7:14.
Não podemos confundir quantidade de informações com conhecimento. Da mesma forma que um punhado de tijolos não é um edifício, um monte de informações desconexas não significa conhecimento real. Sabedoria também não é sinônimo de inteligência. Sabedoria significa saber agir na hora certa e da maneira correta.
Quando você acha que sabe mais que as outras pessoas surge naturalmente a tentadora idéia de que você é melhor que os outros. Daí para a vaidade o passo já foi dado. A Bíblia alerta do perigo do orgulho intelectual. Conhecimento sem amor não é sabedoria.
A ciência incha, mas o amor edifica. (1ª Coríntios 8:1)
Creio que foi o filósofo Sócrates (Grécia, 470-399 AC) que disse: “Só sei que nada sei”. Ter noção da própria ignorância é a verdadeira sabedoria. Que cruel ilusão é pensar que sabe alguma coisa e descobrir o quanto está errado. Sabendo o limite do seu intelecto você tem condições de evitar ser seduzido por ele. Geralmente o jovem universitário, assim que entra na universidade, tende a ser um adorador da ciência. Acha que ela pode tudo, explica tudo e sempre evoluí: sempre em frente, sem retrocessos ou becos sem-saída.
Como se a pesquisa não nos levasse através de caminhos tortuosos, como se o conhecimento científico corresse em uma espécie de “freeway” do saber. Como todo procedimento humano, a ciência está sujeita a pressões sociais, econômicas e históricas. Estas pressões podem atrasar, potencializar ou desviar o desenvolvimento. Cientistas mais experientes tendem a reconhecer estas limitações. São mais abertos a crítica dos processos científicos. Começam a vislumbrar que a há muita coisa além do conhecimento científico. Reconhecem que há fenômenos e realidades que escapam ao método científico. Os testes e validações da ciência não conseguem abarcar tudo o que existe. É neste âmbito que podemos falar de uma realidade espiritual que não é material, não é química, não é biológica, não pode ser descrita em leis e fórmulas.
A ciência anda por caminhos humanos. Temos que reconhecer (nós os crentes) que nossas organizações religiosas também sofrem influências humanas. A sociologia lida com estas influências, contudo não pode explicar ,de forma total e isenta, o complexo mundo real. Há espaço para existência de coisas que somente a fé pode dar sentido. A experiência da vida nos mostra outras realidades tão palpáveis como a gravidade ou a lei dos gases apesar de não poderem ser compartilhadas da mesma forma. Existem experiências subjetiva incapazes de serem registradas, descritas com exatidão, previstas ou reproduzidas. São experiências pessoais.
Carl Sagan (EUA, 1934-1996), cientista e grande divulgador, em seu romance “Contato” (foi recontado em filme do mesmo nome), conta uma interessante fábula moderna. Na obra, uma cientista cética e um religioso discutem o que é real ou fantasia. Ela passa por uma experiência pessoal que não deixa registros científicos ou indícios objetivos. Ela se sente obrigada a reconhecer o valor do tipo de conhecimento de que os religiosos falam. A experiência pessoal é o cerne da fé. Só porque eu não posso dar provas objetivas (impessoais, concretas e materiais) da existência de uma manifestação espiritual não quer dizer que ela não exista. O testemunho pessoal dos cristãos tem transformado vidas pelo mundo a fora. Isto não pode ser desprezado.
Buscar conhecimento intelectual é bom desde que isso não seja a razão de sua existência. Não faça do intelecto um deus. Se o saber te ajuda a viver melhor consigo mesmo e com os outros está tudo bem, você está no caminho certo. Se, por outro lado, você vive numa espécie de culto ao próprio miolo; você corre risco de ser o sábio do texto de Jó 15:2 (leia).
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O ano novo que começa será o Ano Internacional da Astronomia, comemoramos os 400 anos das primeiras observações telescópicas. No próximo artigo vou falar um pouco de Astronomia e Bíblia. Tem um monte de referências interessantes, aguarde. Fique na Paz
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