QUEM É NAELTON

Formado astrônomo pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), faz parte do corpo permanente de astrônomos da Fundação Planetário da Cidade do Rio de Janeiro desde 2006.

O início de sua carreira foi em 1989 no Museu de Astronomia. Mais recentemente trabalhou controlando satélites durante dez anos na Embratel.

Professor de Escola Bíblica Dominical (EBD) há mais de 10 anos.

Atualmente cursa mestrado em Difusão Científica na UFRJ.
Visite minhas páginas (Céu Urbano):
http://ceurbano.blogspot.com/ e http://www.geocities.com/naelto
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HISTÓRICO

Janeiro/2009
Dezembro/2008

 

 

CIÊNCIA E FÉ

Muitas vezes as pessoas me perguntam como eu concilio minha fé cristã com minha profissão científica.  É tão fácil para mim que às vezes não me dou conta que isso foi construído ao longo de uma vida de estudos e experiências.  Certamente não é fortuito. Nasci em lar evangélico, ouvindo minha mãe cantar hinos e indo à EBD semanalmente. Construí ao longo da minha formação espiritual e acadêmica uma visão bem clara dos limites de confronto e pontos de contato entre a fé e a ciência.  Claro que nem sempre deve ter sido tão fácil mas, em nenhum momento foi uma questão de vida ou de morte. Tanto é assim que não lembro de nenhum dilema que tenha tirado o meu sono.

As pessoas a minha volta às vezes tinham posições bem conflitantes mas felizmente tive bons professores (de ciência e fé) que sempre me chamaram a atenção à tolerância e disposição de uma mente aberta e não dogmática. Curiosamente conheci pessoas que endeusavam a Ciência buscando nela resposta para toda sua vida como uma panacéia da felicidade.  Por outro lado conheci pessoas que demonificavam a Ciência como uma espécie de Anti-Fé com o propósito de acabar com todo tipo de crença.  Conheci pessoas que consideravam o estudo secular algo maligno. Por outro lado, conheci pessoas que julgavam religião coisa para ignorantes. Felizmente, bem cedo vislumbrei o lugar particular da ciência e da fé na minha concepção de mundo. Apesar de ambas se basearem na verdade seus métodos, finalidades e linguagens são totalmente distintos. A maior confusão que se pode criar sobre o assunto é a forma errada de interpretar a Bíblia, tanto por cientistas como por crentes.  Isto gera uma oposição desnecessária entre Fé e Ciência. Usar o mesmo critério de medida para o texto bíblico e o conteúdo científico é um desrespeito a ambos.

Poderíamos começar esta coluna distinguindo claramente como entender as Escrituras num contexto correto, sem mistificações, sem exageros e sem preconceitos. Dois grandes cientistas que admiro tinham posições bem distintas sobre a interpretação da Bíblia. Eles foram vitais para a formação e consolidação do Método Científico, a base da ciência moderna.  Seus nomes: Galileu Galilei e Isaac Newton.  Ambos eram (até onde se sabe) cristãos mas, viam o papel da Palavra de Deus de forma totalmente distinta. Uma curiosidade: Newton nasceu no mesmo ano em que Galileu morreu. Sob vários aspectos Newton deu prosseguimento aos trabalhos galileanos, lançando as bases da moderna Física e influenciando todo o pensamento científico atual.

Vejamos algo que se escreveu sobre Galileu:
“...as diversas formas de conhecer são aproximações do conhecimento intuitivo de Deus, que tudo abarca. Entre o pensamento humano e o pensamento divino não pode haver contradição e, por conseguinte, afirma Galileu, não pode haver contradição entre a Bíblia e a Ciência...Galileu responde que a Bíblia não deve ser interpretada literalmente em questões científicas; a Bíblia procura a salvação das almas; ensina come si vadia al cielo e non come vadia il cielo (como se vai para o céu e não como vai o céu)...”
(extraído de http:// www.cipedya.com/web/FileDownload.aspx?IDFile=161249)

Na visão de Galileu a Natureza e a Escritura, ambas, são obras de Deus. São dois livros escritos em linguagens diferentes, com finalidades diferentes, não se pode lê-los da mesma forma. Quando há erro ou incoerência duas possibilidades podem estar ocorrendo juntas ou separadamente. Primeiro: nossa interpretação da Escritura pode estar comprometida e não enxergamos o real sentido do texto. Segundo: aqueles que estudam a Natureza ainda não têm dados suficientes ou, instrumental teórico para descrever os fenômenos corretamente.

Para compreender a Bíblia em sua essência precisamos estar atentos à época em que o texto foi escrito. Não podemos perder de vista os contextos cultural, lingüístico e histórico. Usualmente a Bíblia usa metáforas, figuras verbais, para comunicar ensinamentos morais e espirituais. Você pode achar informação científica na Bíblia? Sim, mas não é esse o seu objetivo. Galileu pensava bem assim.  Posso me considerar um galileano. Já Sir Isaac Newton buscava informação científica literalmente na Bíblia. Dizem que morreu obcecado pela idéia de descobrir a geometria do Inferno. Seu pensamento mecanicista influenciou por um longo tempo o pensamento ocidental. Talvez esteja aí a raiz do conflito moderno das idéias acerca da Bíblia. Muitos cientistas e crentes querem entender a Bíblia ao pé da letra dando mais valor ao símbolo do que ao significado.

Em breve gostaria de conversar sobre o saber intelectual e a : Eles são excludentes? Saber demais envaidece? Devemos buscar conhecimento? Com que intensidade?
Aguarde o próximo artigo desta coluna.  Fique com Deus e com saúde: ore, mas não deixe de ir ao médico se for preciso :) ...

Algumas sugestões de leitura:


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